Membro da Euroconsumers, com mais de 1,5 milhão de associados espalhados por cinco países, a PROTESTE apresenta uma análise detalhada dos efeitos do Coronavírus na vida dos consumidores europeus. Entre os dias 5 e 9 de março, instituições como Altroconsumo (Itália), OCU (Espanha), DECO Proteste (Portugal) e Test Achats/Test Aankoop (Bélgica) realizaram pesquisas nacionais para avaliar o grau de informação, confiança e comportamento dos cidadãos frente à pandemia do COVID-19. A seguir, conheça as principais descobertas que mostram como diferentes países europeus têm reagido a essa crise.
Nível de Informação sobre o Coronavírus
O levantamento indica que, em geral, a população nos países avaliados se considera bem-informada sobre o Coronavírus, abrangendo aspectos como contágio, mortalidade e período de incubação. A maioria afirma seguir, pelo menos parcialmente, as orientações das autoridades de saúde para prevenir o vírus. Contudo, a Bélgica destaca-se negativamente, pois 38% dos entrevistados afirmam estar pouco ou nada informados. Na Itália, que demonstra a melhor situação, apenas 15% relatam falta de informação, revelando uma comunicação mais eficiente.
Preparação dos Consumidores: Compras para Prevenção
Analisando os hábitos de compra relacionados à prevenção, notamos que apenas na Itália a maioria (60%) adquiriu produtos como máscaras, luvas e álcool em gel. Nos demais países, essa procura é menor, perto de 40%, com Portugal apresentando o índice mais baixo, 38%. Quanto ao gasto médio, os portugueses desembolsam cerca de €20, enquanto os italianos chegam a investir €30 nesses itens essenciais para proteção.
Impactos e Mudanças nos Hábitos de Vida
As mudanças provocadas pela pandemia também ganharam destaque nas respostas. Na Itália e na Espanha, mais da metade da população (55% e 56%, respectivamente) reconhece um impacto significativo em suas finanças pessoais. Já em Portugal e Bélgica, essa percepção é menor, atingindo 27% e 33%. Em termos sociais, italianos e espanhóis relatam alteração expressiva de suas rotinas (62% e 53%). Portugal e Bélgica registram índices inferiores, com 29% e 37% respectivamente. Além disso, 80% dos italianos afirmam ter mudado hábitos diários, como optar pelo home office, evitar transportes públicos e aglomerações. Em Portugal e Espanha, cerca da metade da população começam a adotar essas mudanças, enquanto na Bélgica essa proporção é um pouco abaixo, em torno de 45%.
Confiança nas Autoridades e Percepção do Sistema de Saúde
Um ponto preocupante é o nível de desconfiança em relação à capacidade das autoridades públicas de gerenciar a crise. A falta de confiança atinge 36% dos belgas e chega a 47% dos italianos. Em todos os países, uma parcela significativa da população não acredita na preparação dos sistemas de saúde para enfrentar o aumento dos casos, variando de 24% na Espanha até 51% em Portugal. Paralelamente, com exceção da Bélgica, pelo menos 60% dos cidadãos acreditam que a pandemia acarretará danos econômicos severos.
Foco Especial: Situação da Itália e Espanha
Em resposta às medidas rigorosas adotadas na Itália e na Espanha, a Euroconsumers realizou pesquisas adicionais especificamente nesses países. Na Itália, 83% da população já segue rigorosamente as orientações sanitárias, com 64% mantendo o distanciamento social. A maioria, 97%, alterou seus hábitos cotidianos para reduzir o risco de contágio. No entanto, a confiança na gestão governamental permanece baixa, embora a percepção sobre os impactos econômicos tenha aumentado, passando de 57% para 68% dos italianos preocupados com danos à economia.
Em Madri, foram observadas mudanças interessantes após o fechamento das escolas. A percepção de estar bem informado caiu de 42% para 32%, sugerindo uma revisão das expectativas locais sobre o próprio conhecimento do COVID-19. Apesar disso, a adesão às recomendações oficiais manteve-se estável. Os gastos médios com produtos de prevenção cresceram de €20 para €34. Por outro lado, caiu a confiança nas autoridades responsáveis pela crise, de 46% para 39%.